The Social Project: Configurando Kotlin no projeto

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Olá pessoal!

Se você ainda não conhece as motivações deste projeto, leia o primeiro artigo aqui.

No último post, configuramos o CircleCI para observar as branches do nosso projeto, bem como a abertura de pull requests no repositório. Hoje, vamos olhar um pouco mais o projeto e começar a estruturá-lo para posteriormente iniciarmos a implementação de fato.

O projeto em si foi criado a partir do template padrão do Android Studio 3.0.1, sem qualquer modificação na sua estrutura, e sem a inclusão do Kotlin por padrão. Meu intuito é entendermos o que é necessário para transformarmos um projeto Android com Java em um projeto Android com Kotlin.

O primeiro passo aqui é ajustar o arquivo build.gradle principal, aquele localizado na raiz do projeto. Inicialmente, vamos remover os comentários vindos do template. Eles são informativos sobre como configurar as dependências do projeto, porém podemos removê-los tranquilamente, já que sabemos onde vamos colocar cada coisa.

Em seguida, vamos criar uma variável, chamada de kotlinVersion, para guardar a versão do Kotlin que estaremos utilizando no projeto. É importante que essa versão esteja separada, pois ela deve ser a mesma em todas as dependências relacionadas ao Kotlin no projeto. Aqui fica uma ressalva: perceba que utilizamos a nomenclatura com Camel Case (enquanto o template do AS para Kotlin utiliza Snake Case). O Groovy (linguagem utilizada nos scripts do Gradle) tem convenções de código muito semelhantes ao Java. Assim, utilizamos Snake Case apenas nos casos onde o valor é uma constante, e sempre em caixa alta.

Após isso, adicionamos o plugin de Kotlin para Gradle, fazendo uso da interpolação de strings para inserir a versão. Assim, nosso arquivo build.gradle ficará assim:

buildscript {

    ext.kotlinVersion = '1.2.30'
    
    repositories {
        google()
        jcenter()
    }
    dependencies {
        classpath 'com.android.tools.build:gradle:3.0.1'
        classpath "org.jetbrains.kotlin:kotlin-gradle-plugin:$kotlinVersion"
    }
}

allprojects {
    repositories {
        google()
        jcenter()
    }
}

task clean(type: Delete) {
    delete rootProject.buildDir
}

Vamos agora editar então o arquivo de build do módulo app (localizado em app/build.gradle). Nele, primeiramente aplicamos o plugin do Kotlin, seguindo a nomenclatura mais recomendada pelo Gradle – utilizando o namespace. Dessa forma, aplicamos o plugin org.jetbrains.kotlin.android. Em seguida, vamos atualizar o tooling para a última versão do Android (atualmente a API 27). Como o Android Studio 3.0 já foi lançado a algum tempo, o seu template padrão ainda aponta para a API 26. Assim, apontamos as versões de compileSdkVersiontargetSdkVersion para 27, além de atualizarmos a versão da Support Library para 27.1.0, a versão mais recente neste momento.

O próximo passo para completar a integração do Kotlin no projeto é a adição da standard library do Kotlin. Essa dependência possui 3 versões: kotlin-stdlib (Java 6), kotlin-stdlib-jre7 (Java 7) e kotlin-stdlib-jre8 (Java 8). Particularmente eu adiciono a versão jre7, primeiro pelo fato da nossa API mínima ser KitKat (que já suporta as features do Java 7). Poderíamos utilizar a jre8, porém isso faria com que o processo de desugaring ocorresse durante a compilação, o que pode impactar no nosso tempo de build.

Por fim, dois pontos de ajuste que particularmente recomendo por questões de organização. O primeiro é a adição de source sets específicos para Kotlin. Quando temos um projeto Java, os arquivos fonte geralmente ficam na pasta src/main/java. Assim, adicionamos aos source sets src/main/kotlin. Ao meu ver, essa organização é particularmente útil quando o projeto acaba tendo arquivos de ambas as linguagens (o que não deve ocorrer no nosso caso) e para que a estrutura de diretórios fique mais semântica. O segundo ponto de ajuste, mais estético, é a padronização do uso de aspas simples e duplas no arquivo. Aspas duplas, somente quando houver interpolação na string.

Nosso arquivo, então, fica dessa forma:

apply plugin: 'com.android.application'
apply plugin: 'org.jetbrains.kotlin.android'

android {
    compileSdkVersion 27

    defaultConfig {
        applicationId 'net.rafaeltoledo.social'
        minSdkVersion 19
        targetSdkVersion 27
        versionCode 1
        versionName '1.0'

        testInstrumentationRunner 'android.support.test.runner.AndroidJUnitRunner'
    }

    sourceSets {
        main.java.srcDirs += 'src/main/kotlin'
        test.java.srcDirs += 'src/test/kotlin'
        androidTest.java.srcDirs += 'src/androidTest/kotlin'
    }

    buildTypes {
        release {
            minifyEnabled false
            proguardFiles getDefaultProguardFile('proguard-android.txt'), 'proguard-rules.pro'
        }
    }
}

dependencies {
    implementation 'com.android.support:appcompat-v7:27.1.0'

    implementation "org.jetbrains.kotlin:kotlin-stdlib-jre7:$kotlinVersion"

    testImplementation 'junit:junit:4.12'

    androidTestImplementation 'com.android.support.test:runner:1.0.1'
    androidTestImplementation 'com.android.support.test.espresso:espresso-core:3.0.1'
}

Aproveitando que estamos modificando as configurações de build do nosso projeto, recomendo atualizarmos também a versão do Gradle que está sendo utilizada. Para isso, basta gerarmos o wrapper apontando para a versão mais recente (4.6 no momento em que escrevo este post). A não ser quando há imcompatibilidades entre o plugin do Android e o Gradle, sempre recomendo a utilização da versão mais recente do Gradle, já que ela costuma trazer melhorias importantes de performance (o que é sempre bem-vindo). Para atualizar o wrapper, basta executar o seguinte comando:

./gradlew wrapper --gradle-version 4.6 --distribution-type all

Para que nosso aplicativo já tenha uma Activity inicial, também adicionei uma MainActivity vazia e adicionei ao Android Manifest. Também aproveitei e exclui os testes que vem por padrão no template do Android Studio – assim que começarmos a entrar nas features do app, escreveremos os nossos 🙂

Seguindo o nosso Git Flow, criei um Pull Request para a branch develop, que, assim que passou no CI, foi mergeado 🙂

Por hoje é isso. Apesar deste post não mostrar nada muito novo, acho importante configurarmos o Kotlin por nós mesmos e saber o que muda no projeto. Afinal, os build scripts também são código, e mantê-los organizados faz parte da saúde do projeto. Aguardem que no próximo post teremos mais coisas interessantes.

Até lá!

Desenvolvendo para Android com Kotlin: Como Começar?

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Olá pessoal!

Acredito que alguns de vocês já tenham ouvido falar no Kotlin. Pra quem não conhece, o Kotlin é uma linguagem que vem sendo desenvolvida pela Jetbrains (a empresa responsável pelo Android Studio, IntelliJ IDEA e uma porção de IDEs muito boas), focada na JVM, Android e web. A princípio, ela pode ser vista como um Java menos (muito) verboso. Por alguns, ela é chamada o Swift do Android! 🙂

Apesar de ainda estar em desenvolvimento, já é possível criar aplicativos completos utilizando essa linguagem, e é exatamente esse o propósito desse post: mostrar como configurar a sua IDE e criar o primeiro projeto usando Kotlin.

Bom, o primeiro passo é instalar os plugins do Kotlin no seu Android Studio ou IntelliJ. Para isso, abra as configurações da IDE e localize a opção Plugins. Ali, clique em Install JetBrains plugin… e localize os plugins Kotlin e Kotlin Extensions for Android.

Kotlin PluginsFeito isso, basta reiniciar a sua IDE para que a instalação esteja completa.

Com isso, já podemos criar o nosso projeto Android. A criação em nada difere de um projeto comum. Como ainda não temos um template, no início, temos que converter as classes manualmente. O que difere aqui são os arquivos de configuração do Gradle, que terão os plugins do Kotlin adicionados:

buildscript {
    repositories {
        jcenter()
    }
    dependencies {
        classpath 'com.android.tools.build:gradle:1.3.1'
        classpath 'org.jetbrains.kotlin:kotlin-gradle-plugin:0.12.1230'
        classpath 'org.jetbrains.kotlin:kotlin-android-extensions:0.12.1230'
    }
}

allprojects {
    repositories {
        jcenter()
    }
}

Aqui, adicionamos ao classpah os plugins do Kotlin (kotlin-gradle-plugin e kotlin-android-extensions – que não será utilizado ainda nesse primeiro tutorial).

No build.gradle do projeto, aplicamos o plugin e adicionamos a biblioteca padrão do kotlin:

apply plugin: 'com.android.application'
apply plugin: 'kotlin-android'

android {
    compileSdkVersion 23
    buildToolsVersion '23.0.1'

    defaultConfig {
        applicationId 'net.rafaeltoledo.hellokotlin'
        minSdkVersion 16
        targetSdkVersion 23
        versionCode 1
        versionName '1.0'
    }
    buildTypes {
        release {
            minifyEnabled false
            proguardFiles getDefaultProguardFile('proguard-android.txt'), 'proguard-rules.pro'
        }
    }
}

dependencies {
    compile fileTree(dir: 'libs', include: ['*.jar'])
    testCompile 'junit:junit:4.12'
    compile 'com.android.support:appcompat-v7:23.0.1'
    compile 'org.jetbrains.kotlin:kotlin-stdlib:0.12.1230'
}

Caso tenha escolhido para que o Android Studio gere a primeira Activity, você pode convertê-la para Kotlin indo até o menu Code -> Convert Java File to Kotlin File. Aquela sua Activity marota em Java vai virar algo mais ou menos assim:

package net.rafaeltoledo.hellokotlin.activity

import android.os.Bundle
import android.support.v7.app.AppCompatActivity
import net.rafaeltoledo.hellokotlin.R

public class MainActivity : AppCompatActivity() {

    override fun onCreate(savedInstanceState: Bundle?) {
        super.onCreate(savedInstanceState);
        setContentView(R.layout.activity_main)
    }
}

Agora é só executar e é só alegria. Até a versão 0.11, era necessária uma pasta de sources específica para o Kotlin, mas com a 0.12+, já não é necessário (perceba que os arquivos .kt ficam na pasta java de sources).

É isso pessoal! Aguardem que logo logo eu trago mais novidades!