Abram a Porta

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Ímpar. Imperfeito. O ímpeto da insensatez.
Já não controlo-me como deveria. Ou como queria.
Sucinto, sinto como se mentisse na chatice do dia.
Quem dera, quem sabe o dia em que eu pudera
Sim, sorrir sem mais mentir, fugir sem mais ouvir
Esquecer do que aconteceu, de uma vez por todas.
Tolo sou eu. Que sofro no silêncio.
À espera do que não vem. Não vem mais. Mais.

Junto ao sentimento sem sentido. Contido.
Enquanto paro e aguardo, me desprezo.
Sei que de nada adianta, pelo que me torno com isso
Jamais outro pensou assim. Que arrependimento, ora!
Mas por quê? Errado. Acho que sim. Talvez.
Nessa busca pelo escape, acabo me enjaulando cada vez mais
E um desgosto se acerca do que tenho. Nada tenho.

Pelas palavras controversas, explico a confusão interior
Explicação não há. Talvez desculpas. Ou perdão?
Me perdoo realmente? Mas se continuo assim, permaneço como estou
Pobre pessoa com a casca recobrindo-a.
Se ao menos vissem que seu interior já não brota como aparenta
Só. Só tenta. Mas chega uma hora que não aguenta.

Quero minha luz de novo. Quero uma nova luz.
Antes que o meu candeeiro se apague novamente.
E que no escuro eu fique novamente. Não!
Não quero. Tenho medo. Medo de mim. Medo dos meus pensamentos.
Lá fora a luz brilha, mas não vejo a porta aberta pra sair.

Por favor, alguém me dê a chave.

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